PRODUÇÃO DE 1999
Ubiratan D’Ambrosio
O PAPEL DO MUSEU NO PROCESSO DE
DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA
RESUMO
Após um breve exame do papel dos museus na preservação e elaboração do conhecimento, discute-se a situação especial dos museus de ciência. Examina-se a seguir as formas variadas de museus, como centros de ciência, parques temáticos e turismo ecológico, e as possibilidades de inovação no ensino de ciências.
PALAVRAS-CHAVE
museus, museus de ciências, ensino de ciência
The role of museum in tehe processof diffusion of science
Abstratct: After a brief overview of the role of museums in the preservation and elaboration of knowledge, it is discussed the special situation of science museums. The it foil lows an exam of several forms of museum, such as science centers, thematic parks and ecological tourism, and the possibilities of innovation in science
KEY WORDS
museum, science museums, science education
A criação e fundação de novos museus, das mais diversas modalidades, e o número crescente de visitantes, é um fato reconhecido internacionalmente. O conceito popular de museu associado a um depósito de coisas do passado é agora complementado por um conceito de museu dinâmico, onde se vai não só para apreciar, mas para exercer crítica e criar. Os museus de arte, talvez os mais numerosos, exibem um atelier onde jovens, adultos e idosos encontram um espaço criativo inspirador. Igualmente populares são os museus históricos e os museus de ciências. Os primeiros, tradicionalmente focalizados no orgulho nacional, hoje são freqüentemente focalizados na crítica a uma ordem social e política indesejável e muitas vezes associados a propaganda político-partidária. Os museus de ciências, com uma longa história, são hoje dinâmicos e muitas vezes complementados por parques temáticos. E a grande novidade dos museus virtuais começa a se definir. O número de museus se multiplica, nas suas várias modalidades, e os reflexos de sua presença na sociedade são estudados com crescente intensidade, despertando o interesse de acadêmicos das várias áreas [1].
Como coleções de objetos para deleite e estudo, têm-se notícia de jardins botânicos e zoológicos desde os assírios em 2000 a.C. e no templo de Karnak, no Egito, em 1500 a.C. Mas os museus começam a ter características mais próximas ao que se entende hoje na antigüidade grega. A mitologia grega se refere às Musas, que são filhas de Zeus, como aquelas que desejam instruir e fixar o espírito sobre uma idéia ou uma arte, e o mouseión, é o templo das Musas. Da Antigüidade grega lembramos o mouseión de Alexandria, mantido pelo Estado, onde estavam reunidos objetos vindos de todas as partes do Império. Uma verdadeira academia, onde filósofos se reuniam e novas idéias floresciam. Curioso lembrar a etimologia de academia: héka = distante + demos = povo.

