Através de sistemas educacionais as sociedades transmitem e inculcam valores que servem de apoio às normas vigentes e aos estilos de comportamento, sobre os quais se apóia a estrutura de poder. Embora para muitos possa parecer um paradoxo, nesses mesmos sistemas educacionais estão embutidos os instrumentos intelectuais que permitem a crítica e a contestação do poder, eventualmente a sua modificação. Juntamente com a transmissão de valores, um sistema educacional tem como meta o desenvolvimento da capacidade de crítica e contestação.
Há
modelos educacionais nos quais não se desenvolvem a capacidade de crítica e de
contestação. São baseados na obediência. Mas o que se nota é que mesmo na transmissão
pura e simples de valores, os sistemas educacionais muitas vezes falham. Sempre
ficamos chocados quando vemos uma pessoa de bom nível educacional
comportando-se de maneira criticável, algumas vezes até abominável. Porque a
educação muitas vezes não influi no seu comportamento? Paradoxalmente, o conhecimento
é muitas vezes utilizado para um comportamento ainda mais criticável.
Uma
discussão sobre valores não pode escapar de uma reflexão sobre a relação meios-fins.
E uma discussão sobre educação tampouco pode escapar dessa relação, que se
traduz em afirmações sobre a importância da educação. São valores associados à
ação educativa. Espera-se o efeito da ação educativa no comportamento do indivíduo.
O currículo, que é a estratégia da ação educativa, tem como finalidade maior o
comportamento dos indivíduos que passam pelo processo. Como o currículo é
baseado em conhecimento, em saberes e fazeres, somos levados a uma questão
maior: como se relacionam conhecimento e comportamento?
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* Leia também: A PRÁTICA TRANSDISCIPLINAR NA UNIVERSIDADE
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* Tópico III de "Educação para compatibilizar : desenvolvimento e sustentabilidade", p. 230 (Educação para uma sociedade em transição; Editora da UFRN, 2011)






















