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domingo, 5 de outubro de 2014

UMA PROPOSTA EDUCACIONAL*




Através de sistemas educacionais as sociedades transmitem e inculcam valores que servem de apoio às normas vigentes e aos estilos de comportamento, sobre os quais se apóia a estrutura de poder. Embora para muitos possa parecer um paradoxo, nesses mesmos sistemas educacionais estão embutidos os instrumentos intelectuais que permitem a crítica e a contestação do poder, eventualmente a sua modificação. Juntamente com a transmissão de valores, um sistema educacional tem como meta o desenvolvimento da capacidade de crítica e contestação.

Há modelos educacionais nos quais não se desenvolvem a capacidade de crítica e de contestação. São baseados na obediência. Mas o que se nota é que mesmo na transmissão pura e simples de valores, os sistemas educacionais muitas vezes falham. Sempre ficamos chocados quando vemos uma pessoa de bom nível educacional comportando-se de maneira criticável, algumas vezes até abominável. Porque a educação muitas vezes não influi no seu comportamento? Paradoxalmente, o conhecimento é muitas vezes utilizado para um comportamento ainda mais criticável.

Uma discussão sobre valores não pode escapar de uma reflexão sobre a relação meios-fins. E uma discussão sobre educação tampouco pode escapar dessa relação, que se traduz em afirmações sobre a importância da educação. São valores associados à ação educativa. Espera-se o efeito da ação educativa no comportamento do indivíduo. O currículo, que é a estratégia da ação educativa, tem como finalidade maior o comportamento dos indivíduos que passam pelo processo. Como o currículo é baseado em conhecimento, em saberes e fazeres, somos levados a uma questão maior: como se relacionam conhecimento e comportamento?


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* Tópico III de "Educação para compatibilizar : desenvolvimento e sustentabilidade", p. 230 (Educação para uma sociedade em transição; Editora da UFRN, 2011)
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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Lógica de todos os povos é revelada pela etnomatemática




Numa tribo do Amazonas, o convite para a festa consiste em uma medição de tempo feita a partir de pequenas tábuas de taquara. A cada dia, o cacique da aldeia convidada vira uma delas de lado. Quando a seqüência de tábuas chega a uma com a ponta diferente, ele sabe que é hora de preparar a comida para levar à festa. A próxima ponta, alcançada dias depois, mostra que é preciso começar a caminhada para se chegar a tempo ao evento. O convite se chamakatyba e pode ter mais de uma dezena de tábuas. Os índios waimiri-atroari, no entanto, só contam até cinco. A reportagem é do jornal Estado de S. Paulo, 5-11-2006.


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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Para uma abordagem multicultural: o Programa Etnomatemática





Nuno Vieira entrevista Ubiratan D'Ambrosio*

O Movimento das Etnomatemáticas surgiu no Brasil, em 1975, a partir dos trabalhos de base etnoantropológica de Ubiratan D`Ambrósio. Os primeiros passos desta “nova matemática” foram dados a conhecer à comunidade científica na V Conferência do Comité Interamericano de Educação Matemática, em Campinas, 1976. Em 1985, o movimento alargou suas fronteiras, internacionalizando-se com a fundação do Grupo de Estudo Internacional sobre Etnomatemática (ISGE).

Para D’Ambrósio, “Etnomatemática é o reconhecimento de que as ideias matemáticas, substanciadas nos processos de comparar, classificar, quantificar, medir, organizar e de inferir e de concluir, são próprias da natureza humana”. Assim, a Matemática é “espontânea, própria do indivíduo” e moldada pelo “meio ambiente natural, social e cultural” em que este se insere.

É possível encontrar elos comuns a todas as Etnomatemáticas e, com a mesma facilidade, estabelecer factores que as distingam e as tornem próprias e singulares. A Didáctica da Matemática académica é, filosófica e historicamente, um produto da Bacia Mediterrânica, resumindo-se a um treino para atingir resultados em testes nacionais e internacionais, “minimizando ou mesmo ignorando as funções primordiais da Educação”. Em oposição, a “Didática da Etnomatemática visa a Educação”. Ubiratan D’Ambrósio, Professor Emérito de Matemática da Universidade Estadual de Campinas / UNICAMP, nasceu em São Paulo a 8 de Dezembro de 1932. É Doutor em Matemática pela Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de S. Paulo (1963), e pós-doutorado na Brown University, EUA (1964-65).

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Ubiratan D’Ambrosio: Currículo diferenciado e interculturalidade



II Conferência de Educação Escolar Indígena
promovida por Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Centro de Atendimento Especializado (CAESP) por meio do
Núcleo de Inclusão Educacional (NINC)
Comunidades Escolares Indígenas
Educação Escolar Indígena no Estado de São Paulo


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Números e Operações: Jogos e Etnomatemática (UnivespTV)




 Um vídeo simples, objetivo, alegre e muito instrutivo. Vale conferir!
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

DISRUPTORES ENDÓCRINOS: MOLÉCULAS ALIENÍGENAS NÃO CRIADAS PELA VIDA

A expressão “disruptor endócrino” foi cunhada pela cientista norte-americana Theodorine Colborn no início dos anos 1990. Surgiu como consequência de uma longa jornada, descrita em seu livro “Our Stolen Future”. Foi um verdadeiro best-seller e tinha o prefácio do então vice-presidente Al Gore. No Brasil, através de um movimento nosso, foi publicado pela L&PM como “O futuro roubado”, em 1997. Quando lemos o livro, fica claro que seu caminho é uma sequência daquele trilhado antes pela bióloga também norte-americana Rachel Carson, autora do livro “Primavera silenciosa”. Colborn, no entanto, vai além de Carson. Constata que certos químicos artificiais, como detergentes, componentes de produtos de cuidado pessoal, resinas plásticas, além de tantos e tantos outros produtos, como os agrotóxicos e, dentre eles, o DDT, vilão do livro de Carson, são muito mais que carcinogênicos (geram câncer), teratogênicos (geram fetos-monstros) e mutagênicos (geram mutações genéticas). Não se sabe ainda exatamente porque, mas eles têm a capacidade de imitar o comportamento do hormônio feminizante estrogênio. Assim, quando nos alimentamos, respiramos e tocamos quaisquer destes produtos de uso cotidiano que contenham estas substâncias, nossos corpos as absorvem por atração. Quimicamente, são lipossolúveis, ou seja, são atraídas pelas gorduras. Estejam elas na ponta dos nossos dedos, nas papilas de nossas línguas ou entranhadas nos bulbos capilares. Simplesmente atraímos estas moléculas que imediatamente entram na corrente sanguínea de nossos corpos e daí passam a interferir em nosso sistema endócrino e as consequências começam a surgir."



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UNIVERSIDADE DA PAZ - UNIPAZ



A UNIPAZ

A UNIPAZ Como parte da Rede Internacional para uma Cultura de Paz, a UNIPAZ, no Brasil, é um movimento de educação, cuidado e práticas integrativas para o despertar de uma consciência de inteireza, de onde emana a paz nas ecologias individual, social e ambiental, rumo a sustentabilidade com ética e respeito à vida.

Seu atual reitor é o psicólogo e antropólogo Roberto Crema e a doutora em Psicologia Lydia Rebouças exerce o cargo de vice-reitora.

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domingo, 9 de dezembro de 2012

ESCOLA NO INTERIOR DO PIAUÍ DESBANCA 5 MIL INSTITUIÇÕES DO PAÍS



Hoje ele considera que saiu da lama. Filho de agricultores sem renda fixa, praticamente semianalfabetos e moradores da zona rural de Cocal dos Alves – um dos municípios mais pobres do interior do Piauí, a 260 km de Teresina –, Vitaliano Amaral, de 29 anos, nadou contra a corrente das adversidades. O trabalho árduo na roça e o antigo sonho de ser vigia deu lugar à carreira de pesquisador no mestrado em Matemática da Universidade Federal do Piauí.

Mas essa guinada não teria ocorrido se ele não tivesse concluído os estudos na Escola Estadual Augustinho Brandão. Única do município, é considerada a instituição de maior performance no ensino médio no País – ela coloca alunos com grande defasagem educacional no mesmo patamar daqueles que têm melhores condições de aprendizagem por pertencerem a famílias com condições financeiras e culturais privilegiadas.

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Fonte da imagem: infolighthbr
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"A UNIVERSIDADE ENSINA DE COSTAS PARA O BRASIL" (Ariano Suassuna)

Ariano Suassuna

“A universidade brasileira ensina de costas para o Brasil e seu povo”, declarou Ariano Suassuna, 85, na última terça-feira (4/12), às mais de 1300 pessoas que lotavam a plateia do Teatro SESC Palladium, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O escritor, que disse ter se incumbido da missão de “defender o povo brasileiro e sua cultura”, apresentou a aula-espetáculo “Raízes Populares da Cultura Brasileira“,que versa sobre as matrizes indígena, europeia e africana que compõem a identidade nacional. A palestra faz parte do projeto Minas-Pernambuco, que tem apoio do programa cultural “Sempre um Papo” e da Fiat.

(Helder Ferreira – Revista CULT)

Continue lendo aqui…
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Um dos livros de Ariano Suassuna:

Romance da Pedra do Reino
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Investimentos em Educação, Ciência e Tecnologia


A quantidade do investimento não implica, necessariamente, a qualidade do investimento.

Há um clamor por maiores verbas para a Educação e para a Pesquisa. Obviamente, isso é necessário. O Brasil investe pouco, comparado a outros países em grau de desenvolvimento semelhante ao seu, particularmente se considerarmos a justificada ambição brasileira de competir no mercado internacional de produtos industrializados, de alta tecnologia. Sem investimento em pesquisa básica e em pesquisa orientada, dificilmente seremos competitivos. A Pesquisa concretiza-se em produção e consumo.

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sábado, 27 de outubro de 2012

A NECESSIDADE DE SE CONTEXTUALIZAR A HISTÓRIA DA MATEMÁTICA



A História da Matemática, assim como a História da Ciência, insere-se na história geral. Quando nos referimos a uma época ou a uma região, o leitor dever estar sempre atento ao que está se passando nessa época, na região e no mundo. Portanto, ao estudar História da Matemática, o leitor deve ter sempre disponível um bom Atlas Histórico e um livro de História Geral. E a História da Matemática no Brasil, que é o tema deste livro [Uma história concisa da matemática no Brasil], deve ser acompanhada por um livro sobre a História do Brasil. A consulta à internet é muito útil. Há inúmeros sites interessantes e confiáveis.

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BREVES PALAVRAS SOBRE A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE GREGA E ROMANA



Na antiguidade grega e romana, e isso continuou durante a Idade Média, a formação do intelectual focalizava a palavra, oral e escrita, e as coisas. A palavra “coisa” tinha sentido de tudo o que existe ou possa existir, de natureza corpórea ou incorpórea. O uso da palavra era essencial no currículo básico, denominado trivium, que consistia de Gramática [ler e escrever], Retórica [discursar] e Dialética [argumentar].

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

SABER E FAZER



As distintas maneiras de fazer [práticas] e de saber [teorias], que caracterizam uma cultura, são parte do conhecimento compartilhado e do comportamento compatibilizado. Assim como comportamento e conhecimento, as maneiras de saber e de fazer estão em permanente interação. São falsas as dicotomias entre saber e fazer, assim como entre teoria e prática.

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CONHECIMENTO E REALIDADE



Admitindo que a fonte primeira de conhecimento é a realidade na qual estamos imersos, o conhecimento é gerado holisticamente, de maneira total, e não seguindo qualquer esquema e estruturação disciplinar. A Compartimentalização do conhecimento em “clubes” se faz obedecendo a critérios fiaxados a priori  e permitindo, naturalmente, o acesso somente de certos conhecimentos, “aceitos  no clube”. Em conseqüência, permitindo a abordagem de apenas certos aspectos da realidade. Esse é o procedimento das disciplinas e que leva a perder a visão global da realidade. É nessa visão global que estão os valores e uma ética maior. O acúmulo de conhecimentos disciplinares, embora necessário, tem-se mostrado insuficiente para resolver os problemas maiores com que se defronta a humanidade. Uma opção é a transdisciplinaridade, que vai além das organizações internas de cada disciplina.

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Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969