domingo, 2 de agosto de 2015

AVISO

NOVO ESPAÇO DEDICADO A DIVULGAR O TRABALHO DO PROFESSOR UBIRATAN D’AMBROSIO: http://ubiratandambrosio.blogspot.com.br/.
Para acessar os posts deste antigo blog, vá à barra lateral e procure o "Arquivo".

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domingo, 7 de dezembro de 2014

GAU - Grupo de Amigos de Ubiratan D'Ambrosio



Por iniciativa de amigos, foi criada uma página no Facebook sobre o professor Ubiratan D’Ambrosio. Chama-se GAU – Grupos de Amigos de Ubi (clique AQUI)._____________
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

PAULUS GERDES – In Memoriam

Paulus Gerdes e Ubiratan D'Ambrosio
(Fonte: http://www.etnomatematica.org/home/)

O mundo entristeceu com a morte de Paulus Pierre Joseph Gerdes, no dia 11 de novembro, dia em que ele completaria 62 anos de vida. O mundo fica privado de um grande educador no sentido amplo, de um pensador e pesquisador interessado e rigoroso e de um grande amigo, para quem teve oportunidade de conhecê-lo e privar com ele. Nossas condolências à família e aos seus discípulos, colegas e amigos.

Minha relação com Paulus era muito especial. Conheci o Paulus, em meados da década de 70, um jovem de pouco mais de 20 anos. Ele foi um dos primeiros aderentes ao movimento de etnomatemática, que estava se iniciando, e tornou-se uma liderança na área.

Sua trajetória de vida foi muito especial. Nasceu na Holanda, em uma família tradicional. Seu pai era equivalente a um ministro de estado para cultos religiosos. Paulus estudou na Universidade de Nijmegen, onde recebeu o título de Bacharel (com louvor) em Matemática e Física, em 1972. Teve uma experiência em missão humanitária no Vietnam, retornou para Nijmegen, fez o Bacharelado em Antropologia Cultural em 1974 e em 1975 terminou o Mestrado em Matemática. Ainda na Holanda, tornou-se docente no “Centro do Terceiro Mundo”, com ligações com os movimentos de libertação e de anti-apartheid da África Austral. Em finais de 1976 foi para Moçambique, onde passou a morar, tornando-se cidadão moçambicano e constituindo família. Desde sua chegada, foi professor na Universidade Eduardo Mondlane até 1989, quando se transferiu para a Universidade Pedagógica, aí permanecendo até o fim de sua vida.

Em 1986, fez o Doutorado na Universidade de Dresden, Alemanha, com tese sobre O Despertar do Pensamento Geométrico e em 1996 retornou para um segundo Doutorado com tese sobre Geometria Sona: Reflexões sobre tradições de desenhar na areia entre os povos da África ao Sul do Equador, na Universidade de Wuppertal, Alemanha.

Como acadêmico, Paulus foi responsável por inúmeras contribuições à teorização do artesanato e à formulação e solução de questões matemáticas do imaginário e artesanato popular. Todas as suas contribuições têm importantes implicações para uma pedagogia com fortes raízes sócio-culturais.

Paulus era um dos mais importantes pesquisadores sobre Etnomatemática, procurando sempre analisar as bases históricas e epistemológicas da matemática e propondo importantes inovações pedagógicas. Conseguiu organizar um grupo muito ativo de jovens pesquisadores, reunindo matemáticos e educadores. As publicações do grupo, principalmente em Português e Inglês, são um recurso importante para todos os interessados em realizar pesquisas em Etnomatemática em todo o Mundo. Muitas dessas publicações são generosamente disponibilizadas a todos os interessados, grátis ou a baixo custo, no site da editora “Lulu.com”, onde Paulus publicou quase todos os seus livros.

Além das atividades acadêmicas de pesquisa, Paulus esteve sempre envolvido com Educação, especialmente Educação Matemática. A maneira como ele associava a investigação e a educação é exemplar. Fundou, em Maputo, em 1989, o “Centro de Pesquisas em Etnomatemática – Cultura , Matemática e Educação” e, graças a suas propostas inovadoras, foi muito bem sucedido em atrair a Moçambique acadêmicos de todo o mundo, interessados em seus projetos de pesquisa.

Como historiador, Paulus Gerdes contribuiu amplamente para a compreensão da história das ideias matemáticas, teorias e práticas, no continente africano. Sua preocupação era organizar o contexto histórico das práticas existentes e as teorias encontradas nas várias culturas africanas. Seu foco principal era uma ampla pesquisa bibliográfica sobre a História da Matemática na África. Os resultados de sua pesquisa têm sido fundamentais para os historiadores da matemática em todo o Mundo.

Suas preocupações iam além de identificar outros modelos de pensamento Matemático. Ele sentia que a criatividade pode ser melhorada se for restabelecida a dignidade cultural. O período pós-apartheid na África do Sul teve inúmeras repercussões em todo o continente africano. Representou um novo e importante espaço para o desenvolvimento do potencial criativo das populações nativas. A Etnomatemática revelou-se uma importante estratégia para esse renascer da criatividade africana e Paulus Gerdes sempre foi extremamente habilidoso em canalizar esse potencial para formar uma numerosa geração de pesquisadores em Educação Matemática.

Foi responsável por uma mudança de atitude com relação a artesanato e folclore. O artesanato tem sido considerado de menor importância nas reflexões sobre ciência e matemática em todo o mundo e seu aproveitamento em educação tem sido negligenciado. Paulus recuperou, a partir da sua pesquisa com artesãos, a importância fundamental do artesanato como base para o desenvolvimento histórico da matemática. As fontes primárias mais importantes para sua pesquisa foram as práticas artesanais. A pesquisa sobre essas práticas revela a sua fundamentação teórica.

Paulus Gerdes reconheceu que a cultura dos povos, dos artistas, dos artesãos constitui uma fonte inesgotável para a pesquisa matemática e para a Educação Matemática. Professores de matemática de todos os níveis podem aprender, de seus alunos, o que é característico de suas culturas. Os alunos podem mostrar o caminho para se atingir uma prática. O fazer dos artesãos, dos pescadores, dos camponeses, enfim de todos os grupos que dominam uma prática, está baseado num saber que se desenvolveu por árduos caminhos, ao longo de gerações. Destaco de maneira muito especial a exemplar atenção que Paulus dedicou às mulheres na evolução das culturas africanas.

Como bem destacava Paulus Gerdes em seus escritos e em suas conferências, ao se estudar uma demonstração, raramente se consegue perceber como é que se descobriu o resultado.  O caminho que leva a uma descoberta é, em geral, muito diferente da estrada pavimentada da dedução.  Em uma linguagem poética, Paulus nos diz que “A via da descoberta abre-se serpenteando por um terreno de vegetação densa e cheio de obstáculos, às vezes aparentemente sem saída, até que, de repente, se encontra uma clareira de surpresas relampejantes. E, quase de imediato, a alegria do inesperado “heureka” (gr. “achei”, “encontrei”) rasga triunfantemente o caminho.”

De fato, Paulus foi um poeta no seu pensar como filósofo, matemático, antropólogo e educador.

Para prantear um poeta da vida tão querido por todos nós e insubstituível, peço ajuda a um poeta muito querido que também nos deixou prematuramente, Facundo Cabral. Sua despedida para um amigo expressa muito bem meus sentimentos.

Cuando  Un  Amigo  Se Va

(Facundo Cabral)


Cuando un amigo se va, queda un espacio vacio
Que no lo puede llenar la llegada de otro amigo
Cuando un amigo se va, queda un tizón encendido
Que no se puede apagar ni con las aguas de un rio
Cuando un amigo se va, una estrella se a perdido
La que ilumina el lugar donde hay un niño dormido
Cuando un amigo se va, se detienen los caminos
Y se empieza a revelar el duende manso del vino
Cuando un amigo se va, salopando su destino
Empieza el alma a vibrar por que se llena de frio
Cuando un amigo se va, queda un terreno baldío
Que quiere el tiempo llenar con las piedras del astillo
Cuando un amigo se va, se queda un árbol caído
Que ya no vuelve a brotar por que el viento a vencido
Cuando un amigo se va, queda un espacio vacio

Que no lo puede llenar la llegada de otro amigo.
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domingo, 5 de outubro de 2014

UMA PROPOSTA EDUCACIONAL*




Através de sistemas educacionais as sociedades transmitem e inculcam valores que servem de apoio às normas vigentes e aos estilos de comportamento, sobre os quais se apóia a estrutura de poder. Embora para muitos possa parecer um paradoxo, nesses mesmos sistemas educacionais estão embutidos os instrumentos intelectuais que permitem a crítica e a contestação do poder, eventualmente a sua modificação. Juntamente com a transmissão de valores, um sistema educacional tem como meta o desenvolvimento da capacidade de crítica e contestação.

Há modelos educacionais nos quais não se desenvolvem a capacidade de crítica e de contestação. São baseados na obediência. Mas o que se nota é que mesmo na transmissão pura e simples de valores, os sistemas educacionais muitas vezes falham. Sempre ficamos chocados quando vemos uma pessoa de bom nível educacional comportando-se de maneira criticável, algumas vezes até abominável. Porque a educação muitas vezes não influi no seu comportamento? Paradoxalmente, o conhecimento é muitas vezes utilizado para um comportamento ainda mais criticável.

Uma discussão sobre valores não pode escapar de uma reflexão sobre a relação meios-fins. E uma discussão sobre educação tampouco pode escapar dessa relação, que se traduz em afirmações sobre a importância da educação. São valores associados à ação educativa. Espera-se o efeito da ação educativa no comportamento do indivíduo. O currículo, que é a estratégia da ação educativa, tem como finalidade maior o comportamento dos indivíduos que passam pelo processo. Como o currículo é baseado em conhecimento, em saberes e fazeres, somos levados a uma questão maior: como se relacionam conhecimento e comportamento?


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* Tópico III de "Educação para compatibilizar : desenvolvimento e sustentabilidade", p. 230 (Educação para uma sociedade em transição; Editora da UFRN, 2011)
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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Lógica de todos os povos é revelada pela etnomatemática




Numa tribo do Amazonas, o convite para a festa consiste em uma medição de tempo feita a partir de pequenas tábuas de taquara. A cada dia, o cacique da aldeia convidada vira uma delas de lado. Quando a seqüência de tábuas chega a uma com a ponta diferente, ele sabe que é hora de preparar a comida para levar à festa. A próxima ponta, alcançada dias depois, mostra que é preciso começar a caminhada para se chegar a tempo ao evento. O convite se chamakatyba e pode ter mais de uma dezena de tábuas. Os índios waimiri-atroari, no entanto, só contam até cinco. A reportagem é do jornal Estado de S. Paulo, 5-11-2006.


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SBHC - 30 ANOS


http://www.sbhc.org.br/


Informações:

- Leia também:
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Para uma abordagem multicultural: o Programa Etnomatemática





Nuno Vieira entrevista Ubiratan D'Ambrosio*

O Movimento das Etnomatemáticas surgiu no Brasil, em 1975, a partir dos trabalhos de base etnoantropológica de Ubiratan D`Ambrósio. Os primeiros passos desta “nova matemática” foram dados a conhecer à comunidade científica na V Conferência do Comité Interamericano de Educação Matemática, em Campinas, 1976. Em 1985, o movimento alargou suas fronteiras, internacionalizando-se com a fundação do Grupo de Estudo Internacional sobre Etnomatemática (ISGE).

Para D’Ambrósio, “Etnomatemática é o reconhecimento de que as ideias matemáticas, substanciadas nos processos de comparar, classificar, quantificar, medir, organizar e de inferir e de concluir, são próprias da natureza humana”. Assim, a Matemática é “espontânea, própria do indivíduo” e moldada pelo “meio ambiente natural, social e cultural” em que este se insere.

É possível encontrar elos comuns a todas as Etnomatemáticas e, com a mesma facilidade, estabelecer factores que as distingam e as tornem próprias e singulares. A Didáctica da Matemática académica é, filosófica e historicamente, um produto da Bacia Mediterrânica, resumindo-se a um treino para atingir resultados em testes nacionais e internacionais, “minimizando ou mesmo ignorando as funções primordiais da Educação”. Em oposição, a “Didática da Etnomatemática visa a Educação”. Ubiratan D’Ambrósio, Professor Emérito de Matemática da Universidade Estadual de Campinas / UNICAMP, nasceu em São Paulo a 8 de Dezembro de 1932. É Doutor em Matemática pela Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de S. Paulo (1963), e pós-doutorado na Brown University, EUA (1964-65).

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ubiratan D’Ambrosio: Currículo diferenciado e interculturalidade



II Conferência de Educação Escolar Indígena
promovida por Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Centro de Atendimento Especializado (CAESP) por meio do
Núcleo de Inclusão Educacional (NINC)
Comunidades Escolares Indígenas
Educação Escolar Indígena no Estado de São Paulo


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Números e Operações: Jogos e Etnomatemática (UnivespTV)




 Um vídeo simples, objetivo, alegre e muito instrutivo. Vale conferir!
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura (Paraguai)



Formada por crianças e jovens da comunidade de Cateura, o maior lixão de Assunção, capital do Paraguai, a Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura se apresenta com instrumentos musicais reciclados, fabricados por catadores do lixão a partir de sucatas, na luteria do grupo. O projeto é coordenado por Favio Chávez, técnico ambiental e músico, que trabalha na região desde 2004. Os instrumentos imitam o som de violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, guitarras, flautas, saxofones e instrumentos de percussão e são utilizados pela orquestra na interpretação de um repertório formado por música clássica, folclórica, paraguaia, latino-americana, além de músicas conhecidas como as de Frank Sinatra, Beatles, entre outros.

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UNIVERSIDADE DA INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL DA LUSOFONIA AFRO-BRASILEIRA



Um projeto de universidade dos mais interessantes, localizado no município de Redenção, no interior do Ceará. Conheça a Unilab: http://www.unilab.edu.br/.
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

DISRUPTORES ENDÓCRINOS: MOLÉCULAS ALIENÍGENAS NÃO CRIADAS PELA VIDA

A expressão “disruptor endócrino” foi cunhada pela cientista norte-americana Theodorine Colborn no início dos anos 1990. Surgiu como consequência de uma longa jornada, descrita em seu livro “Our Stolen Future”. Foi um verdadeiro best-seller e tinha o prefácio do então vice-presidente Al Gore. No Brasil, através de um movimento nosso, foi publicado pela L&PM como “O futuro roubado”, em 1997. Quando lemos o livro, fica claro que seu caminho é uma sequência daquele trilhado antes pela bióloga também norte-americana Rachel Carson, autora do livro “Primavera silenciosa”. Colborn, no entanto, vai além de Carson. Constata que certos químicos artificiais, como detergentes, componentes de produtos de cuidado pessoal, resinas plásticas, além de tantos e tantos outros produtos, como os agrotóxicos e, dentre eles, o DDT, vilão do livro de Carson, são muito mais que carcinogênicos (geram câncer), teratogênicos (geram fetos-monstros) e mutagênicos (geram mutações genéticas). Não se sabe ainda exatamente porque, mas eles têm a capacidade de imitar o comportamento do hormônio feminizante estrogênio. Assim, quando nos alimentamos, respiramos e tocamos quaisquer destes produtos de uso cotidiano que contenham estas substâncias, nossos corpos as absorvem por atração. Quimicamente, são lipossolúveis, ou seja, são atraídas pelas gorduras. Estejam elas na ponta dos nossos dedos, nas papilas de nossas línguas ou entranhadas nos bulbos capilares. Simplesmente atraímos estas moléculas que imediatamente entram na corrente sanguínea de nossos corpos e daí passam a interferir em nosso sistema endócrino e as consequências começam a surgir."



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Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969