quinta-feira, 14 de junho de 2012

CONHECIMENTO E PODER

Gilgamesh Tablet


Dificilmente poderemos compreender o objetivo e a própria trajetória do conhecimento sem atentarmos para a sua origem, isto é, sua geração, até sua incorporação como uma prática cultural e a sua eventual expropriação e manipulação pelo grupo que detém  o poder. O ciclo do conhecimento, isto é, sua geração, organização intelectual e social, e difusão, pode ser sintetizado na sequência:

- a realidade [entorno natural e  cultural] informa [estimula, impressiona] indivíduos e povos que em conseqüência geram conhecimento para explicar, entender, convive com a realidade;

- o conhecimento assim gerado é organizado intelectualmente, pelo indivíduo e, mediante comunicação, é sociabilizado, compartilhado e organizado socialmente, mostrando-se útil para a sociedade;

- é então expropriado pela estrutura de poder, institucionalizado como sistemas [normas, códigos], e mediante esquemas de transmissão e de difusão, é devolvido ao povo mediante filtros [sistemas], para a sobrevivência dos indivíduos e sua servidão ao poder.

Essa seqüência está evidente numa das primeiras narrativas sobre conhecimento e poder, que é o episódio do dilúvio no texto babilônico da Epopéia de Guilgamesh.


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Créditos da imagem: Wikimedia Commons
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Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969