quarta-feira, 23 de maio de 2012

TRANSVERSALIDADE



Dificilmente poderemos pensar numa educação que aborde o conceito de cidadania sem considerar saúde física e mental e meio ambiente. Mas como tratar meio ambiente e saúde?

Matemática, física, química, biologia e outras disciplinas podem contribuir para o estudo desses temas. Porém, levar isso à prática é um grande desafio, pois os programas dessas disciplinas não contemplam temas que são, pela natureza, transdisciplinares.

Meio ambiente e saúde, tanto física como mental, bem como empregabilidade e violência, são temas que escapam ao tratamento disciplinar, multidisciplinar e mesmo interdisciplinar. São temas transversais, que só podem ser abordados segundo uma visão holística e num enfoque transdisciplinar.

Mas vou mais além. As próprias ciências ― no conceito disciplinar que predomina na educação, isto é, matemática, física, química, etc. ― devem ser contempladas em relacionamento íntimo, numa verdadeira simbiose, na prática educativa e também na pesquisa. Todos os fatos naturais são assim. O índio, na sua sabedoria, vê meio ambiente, saúde, meteorologia e tudo o mais relacionados e mutuamente dependentes. Dizia o velho índio “o vento quebrou o galho da árvore e estou me sentindo ferido”.

Repito algumas idéias já discutidas em capítulos anteriores. O enfoque curricular cartesiano ― objetivos, conteúdos, métodos ― dificilmente permitirá uma visão holística em educação. Em primeiro lugar, a definição de objetivos da educação em função da especificidade das disciplinas é equivocada, como bem nos ensinam as novas teorias da cognição.




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Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969