quarta-feira, 4 de abril de 2012

UM POUCO SOBRE METODOLOGIA



A utilização de teorias avançadas e sofisticadas exige um enorme esforço metodológico para tornar essas teorias acessíveis desde o início da carreira do cientista. Aqui me parece estar o ponto crucial de nossa argumentação. Creio ser absolutamente insustentável a argumentação de que a Matemática deve  ser construída como um edifício lógico em que se superpõem conceitos, em que se superpõem resultados, e que a sofisticação atingida depende realmente do quão alto se vai nessa superposição de tijolos para construir o edifício.

É absolutamente essencial, e eu diria fundamental, que possamos utilizar técnicas sofisticadas na solução de problemas que são nossos e que não interessarão a outros que não nós, que não serão objeto de preocupação de outros que não nós, e que não fazem a humanidade sofrer que não a nós. Como dizia, é absolutamente essencial que ataquemos os problemas de metodologia para trazer esse conhecimento avançado e sofisticado ao nível de sua utilização quase imediata. De fato, acelerar a formação de nossos jovens pesquisadores é  da mais alta importância para o nosso futuro científico e tecnológico. Infelizmente, nota-se a superposição de uma estrutura  de pós-graduação a uma estrutura universitária, aumentando o tempo de formação do indivíduo muito mais do que a realidade exige.

A grande maioria dos problemas que poderiam melhorar consideravelmente a nossa qualidade de vida, são problemas que deveriam ser atacados por um jovem no início de sua carreira universitária. No entanto , nessa idade, com toda a criatividade e idealismo característicos do jovem, o estudante é sujeito a uma construção teórica fundada na metodologia curricular desgastada das universidades americanas e européias, e que de nenhum modo o conduz a uma apreciação dos problemas em que a sua contribuição seria tão essencial. Como se vê, isto afeta profundamente a estrutura curricular de nossas escolas, sobretudo universitárias. Digo sobretudo porque as mesmas observações podem ser feitas com relação a todos os níveis de escolaridade. Nos primeiros níveis de escolaridade, 1º e 2º graus, o que mais se deveria desenvolver é a sensibilidade para apreciar esses problemas. É a motivação para esse gênero de raciocínio. Já nos estudos secundários superiores e universitários, a participação dos jovens pode ser relativamente efetiva na solução dos problemas.



Assine o nosso feed e mantenha-se atualizado!
__________________________________________
Bookmark and Share

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969