sexta-feira, 9 de março de 2012

O HOMEM E SUA AÇÃO NO TEMPO



Que explicações temos para a realidade cósmica, desde as suas origens até o estado atual do universo? Como e por que surgiu a vida neste planeta? Por que e como a espécie homo sapiens sapiens diferenciou-se de tal maneira dentre todas as espécies vivas na busca de sobrevivência e nas suas relações com a natureza?

Solidariamente com o sobreviver, o homem busca transcender o período de sua vida por meio de explicações sobre o que foi e o que se deu e de predições sobre o que será e o que se dará. Na satisfação não diferenciada desses dois pulsões, sobrevivência e transcendência, a espécie desenvolveu o que talvez seja sua característica mais distintiva, que é o sentido de tempo, de passado e de futuro, aparentemente inexistente nas demais espécies animais.

O ser humano procura se entender não só como uma realidade em si, como um indivíduo, mas igualmente no seu relacionamento com outros, como uma realidade social. No homo sapiens sapiens, a continuidade da espécie, que é o principal gerador de poder em todas as espécies animais, é associada a prazer e emoções. O indivíduo amplia o reconhecimento da essencialidade do outro.

O impulso de sobrevivência, essencial no fenômeno vida em geral, provoca curiosidade sobre seu relacionamento com a natureza em sua totalidade, e o homem reconhece sua influência sobre o ambiente próximo. A regularidade de fenômenos leva o homem a perscrutar o distante, em espaço e tempo, e a agir sobre ele.

Ao reconhecer o espaço e o tempo, o homem se pergunta como é, o que é, o que será, e procura explicações nas tradições e na história. Ele quer respostas e pretende influir no que será, adivinhando e fazendo, e assim desenvolve fazeres e saberes, organizados como técnicas, religiões e ciências. O acúmulo de experiências e práticas e das reflexões sobre elas, de explicações e teorizações, é o conhecimento de um indivíduo, de uma comunidade, de uma cultura, das civilizações e da humanidade.

*Trecho extraído de Educação para uma sociedade em transição, p. 33, 34 e 35.

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Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969