domingo, 5 de fevereiro de 2012

CRIATIVIDADE, HISTÓRIA E MATEMÁTICA

Ennio De Giorgi, um Matemático


Um projeto, intitulado "How Mathematicians Work" [Como os matemáticos trabalham?] foi conduzido pelo IMA: Institute of Mathematics and its Applications, da Inglaterra. A pesquisa foi baseada em algumas questões que são, basicamente, as seguintes:

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1. Somos capazes de medir criatividade matemática?
2. São os criativos matemáticos diferentes de outros criativos?
3. Que papéis tem verdade e erro nas práticas matemáticas?
4. A matemática é vista pelos que a praticam como uma técnica, uma arte, ou algo sui generis?
5. Podem aspectos cognitivos e afetivos da matemática serem ensinados ou são simplesmente aprendidos? E que são esses aspectos?
6. Que assistência pode-se esperar na criação, aprendizado e aplicações da matemática?
7. Por que alguém decide ser matemático?
8. A matemática é produzida individualmente ou socialmente?
9. As medidas dessa produção diferem de outras medidas de produção? Como?
10. É possível aquilatar a qualidade dessa produção? Como?

Essas dez perguntas constituem, em si, um importante projeto de pesquisa, que pode ser conduzido em diversos ambientes e tratando das disciplinas mais diversas.

Uma das melhores reflexões que conheço sobre o que é criatividade matemática está na entrevista que Ennio De Giorgi, um dos grandes matemáticos do século, concedeu a Michelle Emmer poucos meses antes de sua morte, em 1996. Nessa entrevista De Giorgi diz "Eu penso que a origem da criatividade em todos os campos é aquilo que eu chamo a capacidade ou disposição de sonhar: imaginar mundos diferentes, coisas diferentes, e procurar combina-los de várias maneiras. A essa habilidade ― muito semelhante em todas as disciplinas ― você deve acrescentar a habilidade de comunicar esses sonhos sem ambigüidade, o que requer conhecimento da linguagem e das regras internas a cada disciplina."

Isso me traz à lembrança uma entrevista recente de Dorival Caymmi. Ao comentar sobre um convite que lhe foi feito para escrever um manual sobre a arte de compor, ele disse que sua resposta havia sido "Não sei música, não aprendi música e, terceiro, não me deixaram aprender música. E talvez um quarto. Fui proibido de aprender música. Aí achei graça e achei que estava certo. Fui proibido porque diziam ‘Se você aprender música perde esse espontâneo do que você cria’ ".

Leia a íntegra desse texto em Criatividade, para quê?


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Um comentário:

  1. Prezado Prof. Ubirantan
    Admiro seu trabalho. Seus livros são ótimos. Sua simplicidade mostra de fato quem você é. Parabéns!
    www.bethematica.blogspot.com
    Profª Elizabethe Gomes Cabo Frio RJ

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Ubiratan D'Ambrosio - Poços de Caldas, 1 de julho de 1969